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Passos de corrida

Um blog escrito para partilhar a todos os corredores as minhas experiências. Meu nome é Rui Alves e moro na Guarda, Portugal, onde desfruto do que considero ser um bom aliado dos treinos - altitude. Sou um Guarda Runner!

Passos de corrida

Um blog escrito para partilhar a todos os corredores as minhas experiências. Meu nome é Rui Alves e moro na Guarda, Portugal, onde desfruto do que considero ser um bom aliado dos treinos - altitude. Sou um Guarda Runner!

Trilhos do Ceireiro - Ainda sou viciado em alcatrão

27.05.19 | Rui Alves

19 de Maio foi dia de participar no meu primeiro trail. O IV trail organizado pela associação Beselguense foi a prova que escolhi para minha estreia, por ser perto,  as opiniões que me chegaram eram muito positivas e porque era num periodo que após maratona me dava condição fisica para enfrentar o desafio.

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Correr trail e uma prova com cerca de 30km mostraram-me a razão sobre o facto de estar um pouco "nervoso". Não treinar em treinos irregulares nem em declives acentuados iria provocar mossa, mas a preparação para a maratona dava-me pulmão e era um aspecto a favor.

A prova tal como nas corridas curtas de montanha que fiz, começou a bom ritmo e estar posicionado no grupo da frente foi uma forma de passar mais rápido as primeira dificuldades que imagino mais atrás se puderam tornar congestionantes em alguns pontos. 

Até aos 14km a prova apresentava a sua maior dificuldade, mas muito do percurso era como dizem os especialistas: "corrida". 

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Quando se chega ao Castelo em Penedono entramos numa bela e técnica parte da prova, onde termina o trail curto e onde para a história fica o registo da minha queda, que me deixou com algumas escoriações e dores, mas acima de tudo ferido no orgulho porque não é fácil ter uma queda com tanta assistência.

Entretanto esses minutos seguintes serviram para limpar feridas, hidratar e meter os pés ao caminho.

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Esta é uma das mais belas partes do percurso para mim, muito embora a parte junto da linha de água seja igualmente de enorme beleza.

Depois o percurso é bastante rápido e bem marcado (como foi toda a prova), que permite ter ritmos de corrida rápidos.

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Esta prova serviu como mais uma experiência de corrida, cheia de bons momentos e de boas amizades. Onde o espírito saudável da prática desportiva se torna o mais interessante.

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No entanto, apesar de ter adorado o trail, ainda estou em modo "Vinho do Porto"... Ainda preciso de amadurecer e quero me tornar melhor.

E para saber se estou melhor, preciso de métricas e essa métricas, apesar de toda a beleza extraordinária do trail ainda me tornam viciado em alcatrão.

Uma nota para a excelente organização da prova, e se pensam em fazer trail para emagrecer não venham a esta prova porque o repasto é magnifico e delicioso. Há pessoal que se fica pelas entradas...

Bons passos!

 

 

 

Plano Maratona da Europa - Cumprido!

13.05.19 | Rui Alves

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O dia amanhaceu coberto de uma neblina fresca e a noite tinha sido bem dormida. Para mim é sempre bom sinal porque uma noite bem dormida é sinal que a ansiedade está em baixo e estou relaxado. Deve ter sido reflexo do litro de vinho tinto bebido ao jantar acompanhado de um belo naco.

Tudo tinha sido preparado com calma no dia anterior, e a rotina estava marcada. Despertador ás 05:45, e o pequeno almoço habitual: Pão com mel, bebida de soja e a banana.

 

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Como estava alojado num hotel perto da partida deu tempo para voltar a deitar um pouco e relaxar pensando na estratégia previamente definida.

A partida desde sempre era p objecto de preocupação pelo aparente pouco espaço de saida.

Depois de entregar os dorsais a todos os GR, e de um aquecimento de corrida ligeiro foi hora de ir tentar apanhar uma boa posição na partida. Nada como saltar a barreira para ficar bem posicionado e junto do companheiro de prova bem na frente.

A partida correu bem melhor que o esperado e logo a única preocupação em mente era manter o plano de prova. A minha corrida foi planeada para passar aos 10km em 41 minuto, e nem ter que parar para apertar as sapatinhas ao 3km me fizeram perder o foco. 

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A temperatura era ideal, o nevoeiro um aliado e o ritmo médio de 4'07'' fez com que fizesse o primeiro abastecimento dentro do plano aos 41minutos e pouco.

Com a primeira parte da corrida feita e agora era manter o ritmo o mais contante possível para passar à meia maratona junto da 1h27'30''.  Esta era a marca que em caso de quebra me poderia dar alguma margem, porque a segunda parte da prova era previsivelmente mais dificil.

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Com a meia maratona passada dentro do objectivo aproveitei a parte animada de gente na rua para me manter o mais relaxado possivel, com boa postura corporal e desfrutando da alegria das gentes na rua. O facto de o nevoeiro ainda se manter era um ânimo extra e havia que aproveitar o brinde.

Tinha delineado 4 abastecimentos energéticos ( 10, 20, 28 e 35km), por indicação do David Rodrigues que achava que à medida que a fadiga vai aumentando mais cedo se deve reforçar as energias. Pareceu-me uma boa ideia quando falamos disso e assim fiz. Uma outra vantagem é que como gosto de dividir a prova em pequenas corridas entre abastecimentos, as mesmas vão ficando mais curtas mesmo que sejam mais. A dificuldade do abastecimento aos 28km era ter que levar a água desde dos 25 mas era um sacrificio necessário e ponderado. 

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A partir daí a corrida foi em solitário e apesar de aos 35 ainda me sentir bem, sabia que o sol já era o  meu mais recente adversário e que o homem da marreta podia estar logo ali. 

O cansaço começou a fazer-se sentir, o ligeiro ascendente não ajudava e o percurso pouco agradável fez com que o ritmo descesse a partir dos 37km. No entanto a prova estava quase feita, dentro do plano, ver os insufláveis e a meta só me fez manter o ritmo, sorrir e desfrutar de cada passada em cima da passadeira azul. 

    

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O plano tinha sido cumprido, objectivo alcançado e portanto foram bons passos de corrida.

Venham outros...  

 

 

 

 

 

 

Maratona da Europa Aveiro - Opinião e criticas

07.05.19 | Rui Alves

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Participei no dia 28 de Abril na Maratona da Europa em Aveiro. Uma prova que desde do final do ano passado gerou espectativa em alta com objectivos bastante ambiciosos para o futuro e que certamente levarão a alguma alterações na realização e concepção da prova.

Esta Maratona prometia ser uma das mais planas da Europa e uma das mais rápidas. Ora nesse aspecto esperava algo mais facilitado no percurso. Comparando com o Porto (A única Maratona que tinha feito até á data) a diferença de altimetria não é assim tão significativa. Apresenta 175m de elevação contra os 392m do Porto. 

O percurso é algo sinuoso para dentro de Aveiro, embora a presença de público seja agradável. Passar na Gafanha é talvez das melhores partes da prova, quer pelo percurso quer pela ótima motivação dada pelas pessoas á prova. No regresso é aborrecido e solitário e a parte final parece-me até um pouco perigosa com subida e descida de passeios numa altura de desgaste do atleta e num trajecto junto ao rio que dificilmente passará um grupo de atletas compacto.

A partida deste ano feita em conjunto com a Meia Maratona e a caminhada correu relativamente bem, mas se a participação duplicar, como acho que vai acontecer no próximo ano, parece-me que terá que ser dada partidas com horas diferentes. 

 

O meu maior desagrado (e o aspecto mais negativo para mim) deve-se com o facto de ser uma prova que não combate a desigualdade de género na atribuição de prémios entre os veteranos Femininos e os Masculinos. São atribuidos prémios a dois escalões de veteranos Femininos (F40 e F45) e para os Masculinos M40, 45, 50, 55 e 60. Neste aspecto a minha simbólica manifestação continua (há muitas fitas para distribuir para quem quiser):

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Comparando novamente com a Maratona do Porto há uma grande diferença:

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Sendo a GlobalSport, na pessoa do Paulo Costa, um defensor das igualdades, parece-me que fará sentido corrigir esta descriminação até porque  mais de 33% dos "finishers" foram mulheres. Onde todos os pódios estariam completos  excepto no F60 que teve só uma valorosa atleta a terminar. Tenho até alguma curiosidade em saber a opinião da Aurora Cunha em relação a este assunto. 

A Aurora Cunha que terá sido a pessoa que provavelmente mais quilómetros fez em prova, desdubrando-se em constantes acompanhamentos no final da prova. A energia desta campeã continua a ser contagiante e foi uma excelente escolha para madrinha da prova.

Uma nota que acho que deve melhorar é o anùncio do tipo de energéticos que vai haver na prova (se houver), com bastante tempo de antecedência. Quem corre uma Maratona para bater uma marca, treina durante 3 ou 4 meses e aproveita os treinos longos para ingerir os energéticos que vai usar, para criar habituação. Se os tiver depois ao longo da prova iguais vai melhor para ele. 

Sendo a primeira é normal que nem tudo seja perfeito, até porque mesmo as provas mais cotadas também cometem erros. Embora me pareça que ainda seja prematuro ambicionar até por uma classificação Bronze Label  como já tem a Maratona do Porto ou Silver como Lisboa, imaginar a prova como Gold é para mim um exagero.

Uma nota para a transmissão televisiva do evento que me pareceu que também tem que melhorar e ficou aquém. Quando cheguei a casa e revi a transmissão fiquei desapontado, tirando alguns apontamentos de reportagem, e algumas passagens a espaços da reta da meta raramente se deu algum destaque ao pelotão. Fiquei sem a noção que efectivamente houveram mais 1100 maratonistas em prova e a termina-la e mais de 5000 na globalidade. Ter um uma divisão de ecrã com um plano de vários pontos de corrida para destacar o pelotão parece-me um boa ideia.  O modelo usado pode até funcionar nas meias maratonas mas numa maratona é preciso algo mais.

Esta Maratona tem algum potencial para ser melhor, mas agora cabe a GlogalSport escutar os atletas e perceber onde pode e deve melhorar.

São novos Passos a dar...